Hora de um melhores filmes do mundo. Ao menos pra mim.
Cineminha do Uli
'Clube da Luta' ['Fight Club', Eua, 1999]
*****
de David Fincher
escrito por Jim Uhls
baseado no livro de Chuck Palahniuk
Quando Juno MacGuff [Ellen Page] pega seu telefone em forma de hambúrger em 'Juno', duas coisas podem ser reparadas na cena em que se segue: o quarta dela e da amiga são extensões de seus personagens. O de Juno é meio desorganizado, com elementos nítidamente mais escuros que o da amiga, abarrotado de itens dígnos das ditas 'patricinhas'. Entretanto, há um telefone de hambúrger ali. Juno é tímida, fechada para si. Mas é meiga, carinhosa e humana. O que isso tem a ver? São ligações visuais dos personagens e do ambiente que compõe. O quarto fala por Juno. E o que 'Juno' têm a ver com 'Clube da Luta'? Essas representações visuais estão presentes em 'Clube' o tempo tudo. E são exageradas. Já explico como e porque.
O filme é uma adaptação de um livro homônimo que conta de história de um cara sem nome [Edwart Norton, que é o narrador do filme] que trabalha com o recall de uma empresa automoilística. Ele viaja para tanto. Ele sofre de profunda insônia e acredita que isso é um grande sofrimento. Indicado por seu médico, ele decide ir a um grupo de suporte para paciente com câncer testicular. Seu médico disse que isso o ajudaria o que realmente é um sofrimento. Depois ele dorme como um bebê. Vê nisso a cura para sua insônia. E passa a freqüentar de vez o grupo. Como um falso possuidor do problema. Então, nosso narrador sem nome encontra alguém tão impostor quanto ele: Marla [Helena Boham Carter, na atuação de sua vida]. Isso o incomoda e a insonia retorna. Ele e Marla começam a disputar grupos de ajuda. Muitos deles.
Em uma de suas viagens à trabalho, conhece Tyler Durden [Brad Pitt, em um de seus melhores momentos]. Tyler é vendedor de sabonetes. A vida de Tyler é atraente demais para o narrador. Eles viram amigos. Após a casa do personagem sem nome pegar fogo acidentalmente, ele resolve ir ao encontro de Tyler e acabando lutando amistosamente após. A brincadeira ganha status alfa, o número de pessoas aumentam, e a brincadeira vira um clube onde os homens podem extravassar a ira. O que acontece a seguir não vou relatar, isso aqui não é a Wikipedia. Mesmo porque, eu estragaria mais da metade da graça do filme
O ponte forte de 'Clube da Luta' é o reoteiro insano. Impecavelmente bem conduzido. Diálogos riquíssimos de conteúdo. Ao mesmo tempo em que todo essa história psicodélica toma rumos, discute-se sociedade, pessoas, consumo... enfim. E cada fato é sempre inesperado. É sempre um soco no êstomago. Precisamos de filmes assim. Tem uma fotografia fantástica, em cores contrastantes. E aqui as coisas ao redor falam pelos personagens. A decadência do narrador é nítida, não apenas pela ótima atuação de Norton, mas pelos cenários visivelmente mais sujos, obscuros. O estilo atraente de Tyler é mostrado pelo exagero da vida de um bon vivant: carros importados, casacos de peles, calças de vinil e couro. A vida morta de Marla através de suas cores mais frias, de seu figurino. Enfim. É um filme onde a câmera fala. O que os personagens é discutível, pensativo. E tudo forma um contexto meio caótico maravilhoso, que faz sentido. Que fala por si só. O fim da sessão, beira o absurdo, o impossível. O soco no êstomago é tão grande, que por pouco você sente sua boca sangrar. Tudo ali passa a ser argumentos [válidos] para muitas das discussões sociais. E depois vem a pergunta: como estava tudo ali? Inacreditavelmente estava. E você não apenas viu como sentiu. Faz parte da viagem que acaba sendo a coisa toda. Vale a pena entrar nela. Vale a pena lutar por ela. Brilhante é dignamente pouco para descrever 'Clube da Luta', suas atuações e sua produção. Veja-o com outros olhos e você estará diante de uma das obras mais maravilhosas da história do cinema. Enjoy ;]
Trailer
http://youtube.com/watch?v=8yXqAGzT_Dk

2 comentários:
tô com preguiça de escrever, mas esse filme rox!
beijos
custa 12 reais
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