Control
*****
[UK, 2007]
O Joy Division foi [e isso não é exagero] uma das melhores coisas que o Reino Unido já produziu.
A banda, dotada de um som intruísta, quebrou barreiras no final dos anos 70 e tem sim um belo lugar entre as bandas que transformaram o rock.
Um filme sobre a vida de Ian Curtis [o soberbo vocalista] e ainda por cima capaz de captar essa essência da banda parecia impossível e fez com que muitos torcessem o nariz.
Control, o resultado, não só cumpre o que promete como faz os fãs do Joy Division [como eu] cantarem alucinadamente a cada cena.
O filme foi baseado no livro 'Touching from a distance' escrito pela viúva de Curtis, Deborah. Ela também esteve envolvida na produção. Filmado em preto e branco e com um retrato de época perfeito.
A cinebiografia começa na adolescência de Ian, quando ainda era só pouco mais que um rapaz, que escrevia silenciosamente em seu quarto e já fumava uma horroridade. Estamos em 70 e alguma coisa... Era quase um exercício de hombridade. Deborah era então, namorada de um amigo seu. Não muito eles se casaram. Se casaram muitíssimo cedo, aliás.
Após um show de um certo Sex Pistols [basicamente, os inventores do punk], Curtis se sentiu inspirado a integrar uma banda e alguns de seus amigos estavam justamente precisando de um vocalista. Nascia a Warsaw, futura Joy Division.
Talvez, o mais interessante dessa cinebiografia seja o fato de ser contada a história de Ian, seus ataques e seus dramas, sem desgrudar do Joy Division. Nota-se que Ian era o coração da banda. Sem ele, a história da banda teria sido inteiramente diferente. Ian se doava muito mais do que aparatemente era nescessário.
Outro ponto interessante: o paralelo da vida de Ian com as letras do Joy. Seus fatos são concluídos com cenas da banda tocando ou, até mesmo, com ele escrevendo para a banda. O Joy Division era, além de tudo, a válvula de escape para a vida dele.
Soma-se isso tudo a deliciosas interpretações. Sam Riley é incorporação exata de Ian Curtis e sua estranha atitude ao palco.
Eis aqui um grandioso exemplo de como uma cinebiografia musical deve ser feita. Um retrato ímpar de uma geração e de uma época. Merece todos os louros que recebeu. E merecia um pouco mais.
