skip to main |
skip to sidebar
Control
*****
[UK, 2007]
O Joy Division foi [e isso não é exagero] uma das melhores coisas que o Reino Unido já produziu.
A banda, dotada de um som intruísta, quebrou barreiras no final dos anos 70 e tem sim um belo lugar entre as bandas que transformaram o rock.
Um filme sobre a vida de Ian Curtis [o soberbo vocalista] e ainda por cima capaz de captar essa essência da banda parecia impossível e fez com que muitos torcessem o nariz.
Control, o resultado, não só cumpre o que promete como faz os fãs do Joy Division [como eu] cantarem alucinadamente a cada cena.
O filme foi baseado no livro 'Touching from a distance' escrito pela viúva de Curtis, Deborah. Ela também esteve envolvida na produção. Filmado em preto e branco e com um retrato de época perfeito.
A cinebiografia começa na adolescência de Ian, quando ainda era só pouco mais que um rapaz, que escrevia silenciosamente em seu quarto e já fumava uma horroridade. Estamos em 70 e alguma coisa... Era quase um exercício de hombridade. Deborah era então, namorada de um amigo seu. Não muito eles se casaram. Se casaram muitíssimo cedo, aliás.
Após um show de um certo Sex Pistols [basicamente, os inventores do punk], Curtis se sentiu inspirado a integrar uma banda e alguns de seus amigos estavam justamente precisando de um vocalista. Nascia a Warsaw, futura Joy Division.
Talvez, o mais interessante dessa cinebiografia seja o fato de ser contada a história de Ian, seus ataques e seus dramas, sem desgrudar do Joy Division. Nota-se que Ian era o coração da banda. Sem ele, a história da banda teria sido inteiramente diferente. Ian se doava muito mais do que aparatemente era nescessário.
Outro ponto interessante: o paralelo da vida de Ian com as letras do Joy. Seus fatos são concluídos com cenas da banda tocando ou, até mesmo, com ele escrevendo para a banda. O Joy Division era, além de tudo, a válvula de escape para a vida dele.
Soma-se isso tudo a deliciosas interpretações. Sam Riley é incorporação exata de Ian Curtis e sua estranha atitude ao palco.
Eis aqui um grandioso exemplo de como uma cinebiografia musical deve ser feita. Um retrato ímpar de uma geração e de uma época. Merece todos os louros que recebeu. E merecia um pouco mais.
Espartalhões
zero, completo e absoluto
[EUA, 2008]
Válido frisar: fui ligeiramente forçado a assistir esta tranqueira. E se eu tivesse, simplesmente ignorado a tv e olhado para o céu, sairía lucrando.
Não trata-se de uma crítica. Não existe palavra no mundo que descreva a ruindade desse longa-metragem [me recuso a chamar isso de filme]. Dessa vez trata-se de um desesperado apelo.
Quando hollywood resolveu zoar a si própria, ninguém a levou a sério [claro]. Tudo começou com um certo 'Todo mundo em pânico' [Scary movie, no original]. Em pânico deveríamos ter ficado nós. Mas não. Até que o filme brilhava com tiradas inteligentes sobre um gênero que, na época, não conseguia livrar-se dos clichês e vícios que ele próprio criou: o terror.
A bilheteria foi incrível. E a indústria viu ali uma maneira de ganhar grana fácil. Não tardou um Scary Movie 2. E ele entregou de cara as fraquezas de gênero que acabava de ser criado: a auto-sátira. A película era tão inferior a original, que o terceiro capítulo demorou a engrenar. E os seus 'ótimos' roteiristas se partiram. Desde então, nasceu uma série de Movies que não deveriam ter existido. Eles conseguem manchar a si mesmos, a hollywood inteira, ao público, a tudo!
Tratam-se de filmes que roteiros ruims, atores ruims, diretores terríveis, fotografia péssimas, cenários idem. E sem um pingo de inovação em lugar algum.
Mas deixe falar especificadamente deste 'Espartalhões'. Mesmo com tudo isso, algumas [raras] piadas funcionariam. Não fosse o fato dos diretores não saberem contar uma piada e os elementos que fazem com que uma piada funcione. Há o erro de timing [a piada é mais longa do que deveria ser]. De foco [frisa-se a piada mais de uma vez em pouquíssimos quadros]. E primordialmente, o erro supremo, explica-se a piada [como já não bastasse ela ser continuadamente repetida pela câmera].
Me recuso a comentar as piadas ridículas que se encontram [e que fazem questão de ter todos erros citados acima], como a piada do poço, a infinita piada sobre a duvidosa sexualidade dos espartanos [ridícula] e os elementos inteiramente fora de qualquer contexto.
Mas, a tristesa maior, é saber que este tipo de filme ainda movimenta milhões a saírem de suas casas e pagarem para assistir a isso. O lucro desse tipo de lixo vem sendo superior duas, três vezes ao seu custo de produção. Resta saber se isso é resultado de uma época em que os trailers têm costumado ser melhores que os filmes.
Pior: os estúdios preferem investir nesse estúpido dinheiro fácil e assim excelentes produções deixam de ser feitas, sem dúvida.
Agora, será mesmo que o público não está de saco cheio? E será mesmo que os estúdios, para cada 'paranoid park' precisem de centenas de lixos como este? Questões. Quero respostas. E rápido.
Não por acaso*****
[Brasil, 2007]
É difícil saber por onde começar a falar sobre este filme. É surpreendente na execução, no roteiro, em tudo. Não por acaso possui aquela aura quase mágica, que poucos filmes têm. Um exemplo claro dessa aura: Amélie. O surpreendente mesmo é ver que trata-se de um filme nacional atingindo o patamar que parecia intocado.
O tema tratado aqui é imprevisibilidade que toca na ferida de dois homens que têm a previsibilidade como regra do seu dia-dia. Tanto Ênio [Leonardo Medeiros], quanto Pedro [Rodrigo Santoro] veêm suas lineares rotinas serem abruptamente quebradas por conta de um acidente que poderia ter sido evitado por dois segundos. Sim. Dois segundos. E não vou estragar o choque que é a transposição de cenas entre o que aconteceria e o que aconteceu por conta destes dois segundos. O brilhantismo da cena se dá pela banalidade do fato, e como para você, espectador, não faria a menor diferença até que o ato é mostrado com dois segundos de diferença.
Ênio vê-se com uma filha para se aproximar. E Pedro, sem aquela que era sua amada, vê-se solitário o suficiente para não levantar-se da cama. E mais uma vez, o inesperado acontece. Ele precisa retornar ao apartamento que sua namorada alugou. E conhece Lúcia, a atual moradora.
A partir daí, o filme se enche de simbolismos que passam dispercebidos pelos olhos mais desatentos. Sem ficar piegas em nenhum momento. A conversa de pai e filha diante da janela iluminada dentro de uma sala fria é, para não exagerar, fantástica.
Fotograficamente falando, é brilhante o encaixe de fatos, com posicionamentos, detalhes... Tudo ganha mais força.
Não posso deixar de ressaltar o elenco. De primeiríssima linha. Em especial os principais, Rodrigo Santoro e Leonardo Medeiros. Dão um banho. E fazer tudo parecer ainda mais denso, e real. Deixam-se levar pelos personagens, e entregam-se tanto que confundem-se com eles.
É um filme sensível. E que merece ser visto. Imprevisivelmente, claro.
Para mim é o que de melhor tem sido feito no cinema nacional nos últimos tempos. De certeza que têm um lugarzinho na estante, como um dos favoritos. De todos os tempos.
***The Spiderwick Chronicles [Eua, 2008]As Crônicas de Spiderwick é uma aula para filmes infanto-juvenis. Baseado na série de livros homônima, Spiderwick é daqueles filmes que mostram que nem tudo em Hollywood está perdido.
O filme mostra uma família [composta pela mãe, a filha mais velha e os gêmeos mais novos] se mudando para uma casarão no meio do nada. Jared, um dos gêmeos, encontra um misterioso. Trata-se do Guia de Campo escrito por Arthur Spiderwick. Arthur coletou absolutamente todas as informações sobre os seres mágicos existentes e os catalogou nesse livro. Tal livro é o objeto mór de desejo do maligno Mulgarath. Ele quer usar as informações do Guia de Campo para dominar todas as criaturas mágicas existentes. Tal livro estava protegido pelo pequenino Tibério desde que Arthur se foi. A reabertura do Livro, desperta novamente os planos de Mulgarath, e ele está agora, atrás do gêmeos para tomar posse do Livro e botar o seu plano em prática.
Não parece ser o roteiro mais criativo do mundo. De fato, não é. O que 'Spiderwick' possui é encanto. Muito por sinal. Isso se dá a uma soma de fatores: Freddie Highmore prova, novamente, ser um excelente ator mirim. Seu carisma é notável. Some a isso o fato dele interpretar os gêmeos Jared e Simon e empregar a eles traços que não deixam a diferença entre eles se limitar ao figurino.
As criaturas mágicas são de uma beleza ímpar e demosntram um alto grau de realismo. A sensação de que existem de verdade e foram usadas a filmagem e muito grande, tamanho o carinho com que foram desenhadas e inseridas no filme.
Fotograficamente falando, verás um dos mais encantadores filmes infanto-juvenis já feitos. Ligeiramente sombrio, sem parecer assustador.
Mas nem tudo são flores em 'Spiderwick'. Freddie Highmore é sim um ótimo ator e a sensação de que todos à sua volta não estão a sua altura é enorme. Os méritos de atuação são inteiramente dele. E só.
A condução de roteiro é apressada. Fica nítido que o material em que o filme se baseia é extenso, e lotado de informações e detalhes. Material que permitiria a criação de uns dois filmes, com folga, sem deixar o roteiro apressado ou vagaroso. Tudo é explicado muito rápido e acontece em sequências que quase se atropelam. Para os menores, a não repetição de certos pontos do roteiros pode os deixar perdidos na trama.
Fora esses pontos, fica a sensação de um filme que tnha tudo para ser melhor. Mas deixou-se escorregar talvez, no próprio medo de se tornar algo grandioso demais.
Uma coisa as falhas não tiram de 'Spiderwick': o encanto. O mundo fantástico é relatado e demonstrado de maneira incrivelmente envolvente.
Você provavelmente vai entender o que digo quando ver as criaturas 'flor' pela primeira vez.
Merece ser visto. De verdade.
E que ele seja visto e revisto pelos criadores de filmes infanto-juvenis. Mesmos com seus errinhos, Spiderwick dá de 20 nas atuais produções do gênero.
Batman - O Cavaleiro das Trevas [The Dark Knight, Eua, 2008]*****dirigido por Christopher Nolanmerece: Oscars e mais Oscars...Na minha última postagem eu inciei dizendo que a expectativa pode acabar com um filme. Também disse que isso é verdade. Sim, novamente minhas expectativas aqui eram grandes. Aliás, a maior que já criei este ano. Sim, ela foi superada. Nos melhores 152 minutos que já passei dentro do 'escurinho do cinema'. Tudo já começa com uma cena espetacular. Somos primeiro apresentados ao Coringa. Ali, já se ve que se trata de uma mente insana. Ali já se percebe que Heath Ledger é um desgraçado sem mãe, sem dó nem piedade, que nos entrega uma brilhante atuação. Só por ele este filme já teria ganho suas 5 estrelas. Trata-se da mais impressionante capacidade de um ator incorporar um papel. Não faço o menor exagero ao dizer que o que ele fez aqui, ninguém fez nesta década. Vou deixar você mesmo conferir. Mas, antes de alguma coisa, rola sim um certo preconceito. É o Batman, oras. É um super-herói e está sujeito aos clichês do gênero. Ledo engano. Com essa cabeça você não vai a lugar algum. Não vai apreciar, nem de longe, uma trilha sonora que choca, dá movimento e ainda mais força ao que acontece na tela. Existem duas cenas em especial, que não apresentam a trilha. Não é erro. O brilhantismo delas talvez esteja na sua ausência, uma vez que não se cria suspense. Também não vai apreciar um verdadeiro baile de explosões. Sem exageros. O Coringa é insano o suficiente para todas fazerem sentido. Não vai apreciar um fotografia ímpar. Sombria, sem excessos e sem se deixar cair na própria sombriedade. Linda. E, logicamente, deixará de apreciar atuações fora do comum. Cristian Bale deixa o Homem-morcego extremamente humano. E ele sofre calado como poucos. Aaron Eckhart faz de Harvy Dent algo ambíguo. Ao assistir você descobrirá o porquê no final. E no fim, você vai ver como essa ambiguidade estava toda na sua frente e você não percebeu. Morgan Freeman deixa de lado os deslizes que tem dado, em prol de algo maior. Pode ser pequena sua participação, mas ainda assim, ela integra com o contexto, e não deixa a peteca do resto do elenco cair. Até Maggie Gyllenhaal merece seu destaque. No começo, pode haver um deslocamento. Ela interpreta Rachel, personagem que ficou a cargo de Katie Holmes em Batman Begins. Não demora pra ela pegar o ritmo do personagem e dar uma identidade nova a Rachel. Como se vê, é um elenco de responsa. Que fez muito bem o que deveria. Palmas. Quanto ao roteiro? Brilhante. De cima em baixo. Primordialmente amarrado. Pertubador. Insano. Reflexivo. Impactante. E mais: ele faz com que as extensas 2 horas e 40 minutos passem sem que nos demos conta. Termina de maneira poética e deixa um gancho para um terceiro, sem que este aqui perca sentido sozinho. E preciso reverenciar Christopher Nolan. O cara é simplesmente foda! Não acho adjetivo melhor que esse. Sem dúvida, m diretor que não deixa cair em vícios, e dá identidade individual a cada um de seus filmes. Mais: ele busca fazer com cada momento vá superando o anterior. E resta saber se o seu terceiro Batman conseguirá isso. Porque é aparentemente impossível. E mais palmas ele! Nolan provou que os ditos 'filmes de super-herói', não precisam agredir a inteligência do público. Muito menos ganhar força apenas no herói em suas cenas contra o crime. Batman ganha força em cada ponto de um filme: roteiro, trilha, elenco, fotografia, direção... tudo! E mostra que nem sempre a atitude de herói é a melhor a ser realizada. Cada cena vai ficar na memória. Cada risada do coringa vai nos perturbar por muitas noites. Este aqui é o melhor vôo do morcego. Cinema de primeira. Merece ser visto. Com outros olhos. Por um momento esqueça que Batman é um super-herói. Ele vai te provar que heróis não feitos de atos de bravura. Por fim, um fato isolado. Assisti em plena sexta-feira de estréia. O cinema estava cheio. Quando as luzes se acenderam, os presentes aplaudiram. Nunca vi nada parecido. Nunca vi o público reagir assim. É esse o efeito que este filme causa. Acho que agora consegui resumir o que ele representa.
Cineminha do Uli
'Wall-E' [2008]
*****
um filme Disney/Pixar
de Andrew Stanton
Já ouvi várias vezes que a expectativa pode estragar um filme. Isso é verdade, já tive a oportunidade de comprovar isso. Entretanto, acho que os filmes realmente dignos de um brilhante lugar ao sol são aqueles em que a expectativa é superada, por maior que ela seja. Wall-E é desses filmes.
Posso ser suspeito para falar... Sou um assumido fã da Pixar e de tudo aquilo que eles já foram capazes de criar. A Pixar visivelmente ama aquilo que faz e tenta, sempre, se superar. Talvez por isso seus filmes já estejam entre as obras primas da animação.
Quanto ao filme em si: 'Wall-E' é muito mais do que 'o novo da Pixar'. É prova definitiva de que a Pixar é a cereja do bolo no ramo de animação, de que a Pixar ocupa hoje o lugar que a Disney ocupou um dia [a fusão das empresas é pura ironia pra mim].
Trata-se de um robozinho, sozinho na Terra, limpando toda a cagada que nós deixamos aqui. Quanto a nós? Abandonamos o planeta imundo para vivermos em uma nave auto sustentável e nos entregarmos de vez ao sedentarismo causado pela tecnologia. E vem sendo assim a 700 anos. Como ele ficou aqui todo esse tempo? Se consertando com peças de outros Wall-Es que não resistiram ao tempo. Como ficamos 700 anos em órbita? Não fizemos nada. Os robôs fazem tudo, o tempo todo.
O filme começa nos mostrando uma metrópole em visão área. Deserta. Prédios altíssimos. Gela a espinha quando você percebe que as construções são, na verdade, lixo compactado meticulosamente empilhado. Somos apresentados ao remanescente Wall-E e sua barata companheira. Companhia fiel. Wall-E não gosta da solidão em que é obrigado a ficar. Ele pisa sem culpa alguma nela. Preocupa-se. Suas expressões dizem mais do que qualquer palavra. Ao ver que ela está bem, seus olhos exprimem alegria. Beira o sublime.
Ao assistir diversas vezes a uma velha fita do musical 'Hello, Dolly!', ele criou o desejo, mais que isso, a necessidade de ter contato com algo semelhante a ele. Algo não, alguém. O robô lixeiro é mais humano que muitos de nós.
A chegada da moderníssima Eve muda sua vida e nada mais do que o mais puro amor à primeira a vista invade o 'coração' do robozinho. A jornada da conquista é difícil. Ela é uma garota bem explosiva [no sentido mais literal da palavra].
Ele vai até o espaço por ela. E vai até Axiom, onde nós humanos estamos. A visão é aterrorizante. Estamos todos, obesos, sedentários. Prisioneiros de um conforto escravista. Não nos olhamos nos olhos, mesmo que estejamos lado a lado. Nossas web cams fazem isso, para que movimentar o pescoço? Estamos acomodados em cadeiras flutuantes... Andar é inteiramente desnecessário. Nosso computador pessoal está a um palmo de nossas vistas. Podemos ver tudo por ele. Para que ver aquilo a nosso redor? Nem de nossos filhos cuidamos... Os robôs fazem isso. Amedronta aquilo que nós podemos nos tornar.
E é assim, de momentos, que as coisas vão se encaixando, ganhando sentido e montando um quadro maravilhoso. O sentimental robozinho nos cativa. Ele ganha o status de seu melhor amigo [pelo menos até o fim da sessão XD], e cada deslize nos comove. Eu no auge de meus 18 anos chorei como criança. Por falar em crianças, elas irão amar o Wall-E, mas passaram longe de captar tudo o que acontece em volta dele.
Isso tudo é somado aos mais belos gráficos já vistos, aos demais integrantes do 'elenco', todos incrivelmente bem escalados e posicionados na hora e momento certos. Uma trilha sonora incrível, que toca até os mais frios croações.
Vi este ser acusado de ruim e de conter falhas no roteiro. Desculpe-me, mas os que acreditaram nisso, não têm o menor poder de dedução. Também ouvi dizer que tudo acaba de forma óbvia. Querendo ou não, isso ainda é uma animação com apelo infantil, mesmo que em baixa escala dessa vez. Os pequenos precisam do Happy End. E tomarei emprestado a opnião do Omelete: "Se o final soa um tanto óbvio e previsível, já estamos suficientemente cativados por esse personagem e seu universo para chegar a feliz conclusão de que às vezes o óbvio bem realizado é tudo aquilo que queremos". Falou e disse.
Ao fim, somos mostrados a um dos mais belos [e integrantes do roteiro] créditos animados. Desculpem-me, mas não posso evitar chamar os caras da Pixar de nada menos do que gênios.
Para aqueles que não sabem, é verão nos Estados Unidos. Assim como em terras tupiniquins, verão significa férias. E férias significam muita gente à toa. Ou seja, leve este povo para o cinema. Este é o período mais quente dos cinemas. As grandes acontecem uma seguida da outra e este ano, especialmente, estamos presenciando uma verdadeira hora do rush. Filmes aguardados a muito tempo. Filmes sonhados a anos. A temporada de verão de 2008 já começou e vou lhes dar o sabor de cada um desses grandiosos blockbusters. E que venha mais.

Cineminha do Uli
'Speed Racer' [Speed Racer, Eua, 2008]
****de Andy e Larry Wachowski
Fique ligeiramente chateado ao ler as críticas dos jornais. As vezes acho que críticos são um bando de retardados. 'Speed Racer' é maravilhoso, explosivo. Os Wachowski sabem o fazem. Eles conceberam Matrix, V de Vingança e agora esta adaptção. Para não deixar a peteca cair, é nescessário ir para o cinema levando em conta algumas considerações especiais: trata-se de um 'filme-família', ou seja, é nescessário agradar a uma gama bastante variada de espectadores. Mais que isso: não espere que o roteiro instigue o seu cérebro. Cada passo é meticulosamente contado e revisado. Isso causa a ira de muitos.
Segundo ponto: o filme possui uma estilização gráfica única. Tudo aqui foi pensado como um desenho animado, então tente esquecer um pouco que isso é um filme e não uma animação. Alguns disseram que a magia gráfica de Speed parece ultrapassada e ligeiramente mal concebida. Não. Talvez apenas os prazos sufocadores de Hollywood tenham comprometido alguma coisa.
Terceiro ponto: Esqueça que você aprendeu física um dia. Tudo aqui é absurdamente surreal. Este o 'boom' da coisa toda. Se é pra nos chocar com piruetas incríveis, aplausos, isso foi feito com a mesma competência que o revolucionário 'bullet-time' de Matrix.
E, lógico, tenha em mente que tudo aqui é exagerado sim, com cara de desenhão sessentista e vibrante como uma corrida. Vislumbre que velocidade é a lei, e que não captar todos os movimentos das frenéticas corridas não é um ponto ruim, mais sim algo que faz você 'abrir a sua mente' para cada curva que vem pela frente.
O roteiro é simples e até um pouco clichezado. É um 'filme-família', lembra? Trata-se de Speed [Emile Hirsch], corredor jovem e talentoso que tenta mudar o esquema de corrupção e forja das corridas. Toda sua família é envolvida com o mundo da velocidade. Todos respiram isso, o tempo todo. Existe aqui o fantasma da morte de Rex, irmão mais velho de Speed. A habilidade de Speed faz com que o milionário Royalton fique de olho nele. A recusa de Speed à proposta do empresário de fazer parte de sua equipe, provoca sua ira e nosso corredor de bom coração vira alvo. Com a ajuda do misterioso Corredor X [Mattew Fox], Speed deve reverter essa situação. Para tanto, será nescessário vencer o Rally de Casa Cristo, prova que resultou na morte do irmão.
Tudo isso acontece com cenas de tirar o fôlego. Psicodelismo visual nítido e bom humor. Tudo aqui têm um exagero gostoso e nauseante ao mesmo tempo. 'Speed Racer' parece aquelas balas-metro. Grandes, coloridas, doces, enjoativas perto do final. A quebra de ritmo com flashbacks e recaptulações por vezes desnessárias, acabam por fazer deste aqui um filme fabuloso, que me emocionou nos últimos minutos, tamanha a maestria das cenas de corrida. Mas que talvez levou isso a patamares tão elevados que o resto ficou ligeramente apagado.
A escolha do elenco foi certeira. A trilha, que utiliza cada arranjo do clássico desenho, também foi certeira.
No fim, um leve ajuste no ritmo e no roteiro fariam deste aqui mais do que uma boa adaptação, mas um verdadeiro clássico.
-//-
'Homem de Ferro' [Iron Man, Eua, 2008]
*****
de Jon Fraveu
baseado no Hq homônimo
Quando a Marvel decidiu que seus super-heróis só iriam para o cinema por suas mãos, ela fez uma excelente escolha. 'Homem de Ferro' é o primeiro filme que aproveita desta decisão. Até então, a Marvel cedia os direitos de seus personagens para os outros botarem a mão na massa. Neste aqui, a Marvel fez o bolo e a cobertura é deliciosa. De brinde, uma cereja inigualável.
Para começar, Tony Stark é um personagem ímpar. Daqueles que de tão cínicos chegam a ser carismáticos. Também é daqueles que devem dar um trabalhão para qualquer ator. Robert Downey Junior o interpreta com tanta naturalidade que ele parece ter nascido para o papel. Falando no elenco, Gwyneth Paltrow também dá um baile. A primeira vista, Gwyneth parace assustada e retida pelo tamanho do filme em que se envolveu. Mas não demora a nos mostrar que sua personagem é assim. Sendo assim, ela faz de Pepper Potts uma pessoa adorável.
'Homem de Ferro' é também o filme de heróis menos convencional que dos últimos anos. Stark não é um legítimo herói. Ele não vai atrás de bandidos para eliminar nem de coitados a salvar. Ele luta com aquilo que entrou no seu sapato. Egocentrismo? Explícito. Os por-menores não são nescessários. Falar sobre este filme é tirar dele o impacto que ele causa. Duro como ferro e forte como uma guitarra bem tocada. Aliás, cada explosão aqui vem acompanhada do instrumento. E garanto que explosões não faltam. Poucas vezes Hollywood reconheceu que explosões e guitarras são perfeitas juntas. E menos vezes ainda as duas juntas arrancaram arrepios dos espectadores.
Não, eu não vou explicar o roteiro. Ele é bom. Muito bem conduzido. Brilhantemente montado. E ele fala sozinho. Você o capta, sem nunca ter lido um pingo de informação sobre a biografia do herói nos quadrinhos. Apenas veja e depois me diga se algum dos três 'Homem-Aranha' mereceu metade do barulho que fez. Depois deste aqui, o público vai ficar extremamente exigente com filmes de heróis. E com razão.
-//-
O Verão ainda vai trazer outros pipocões de luxo. Vou procurar falar sobre todos aqui. Apenas, aguarde. ;]
As Crônicas de Narnia: Prícipe Caspian - 30/05
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - 22/05
Wall-E - 27/06
Kung-Fu Panda - 4/07
Batman: O Cavalheiro das Trevas - 18/07
Estréiam antes do fim de Julho:
Hancock
O Incrível Hulk
A Múmia 3
Hellboy 2 - O Exército Dourado