sexta-feira, 25 de julho de 2008


Batman - O Cavaleiro das Trevas [The Dark Knight, Eua, 2008]
*****
dirigido por Christopher Nolan
merece: Oscars e mais Oscars...

Na minha última postagem eu inciei dizendo que a expectativa pode acabar com um filme. Também disse que isso é verdade. Sim, novamente minhas expectativas aqui eram grandes. Aliás, a maior que já criei este ano. Sim, ela foi superada. Nos melhores 152 minutos que já passei dentro do 'escurinho do cinema'. Tudo já começa com uma cena espetacular. Somos primeiro apresentados ao Coringa. Ali, já se ve que se trata de uma mente insana. Ali já se percebe que Heath Ledger é um desgraçado sem mãe, sem dó nem piedade, que nos entrega uma brilhante atuação. Só por ele este filme já teria ganho suas 5 estrelas. Trata-se da mais impressionante capacidade de um ator incorporar um papel. Não faço o menor exagero ao dizer que o que ele fez aqui, ninguém fez nesta década. Vou deixar você mesmo conferir. Mas, antes de alguma coisa, rola sim um certo preconceito. É o Batman, oras. É um super-herói e está sujeito aos clichês do gênero. Ledo engano. Com essa cabeça você não vai a lugar algum. Não vai apreciar, nem de longe, uma trilha sonora que choca, dá movimento e ainda mais força ao que acontece na tela. Existem duas cenas em especial, que não apresentam a trilha. Não é erro. O brilhantismo delas talvez esteja na sua ausência, uma vez que não se cria suspense. Também não vai apreciar um verdadeiro baile de explosões. Sem exageros. O Coringa é insano o suficiente para todas fazerem sentido. Não vai apreciar um fotografia ímpar. Sombria, sem excessos e sem se deixar cair na própria sombriedade. Linda. E, logicamente, deixará de apreciar atuações fora do comum. Cristian Bale deixa o Homem-morcego extremamente humano. E ele sofre calado como poucos. Aaron Eckhart faz de Harvy Dent algo ambíguo. Ao assistir você descobrirá o porquê no final. E no fim, você vai ver como essa ambiguidade estava toda na sua frente e você não percebeu. Morgan Freeman deixa de lado os deslizes que tem dado, em prol de algo maior. Pode ser pequena sua participação, mas ainda assim, ela integra com o contexto, e não deixa a peteca do resto do elenco cair. Até Maggie Gyllenhaal merece seu destaque. No começo, pode haver um deslocamento. Ela interpreta Rachel, personagem que ficou a cargo de Katie Holmes em Batman Begins. Não demora pra ela pegar o ritmo do personagem e dar uma identidade nova a Rachel. Como se vê, é um elenco de responsa. Que fez muito bem o que deveria. Palmas. Quanto ao roteiro? Brilhante. De cima em baixo. Primordialmente amarrado. Pertubador. Insano. Reflexivo. Impactante. E mais: ele faz com que as extensas 2 horas e 40 minutos passem sem que nos demos conta. Termina de maneira poética e deixa um gancho para um terceiro, sem que este aqui perca sentido sozinho. E preciso reverenciar Christopher Nolan. O cara é simplesmente foda! Não acho adjetivo melhor que esse. Sem dúvida, m diretor que não deixa cair em vícios, e dá identidade individual a cada um de seus filmes. Mais: ele busca fazer com cada momento vá superando o anterior. E resta saber se o seu terceiro Batman conseguirá isso. Porque é aparentemente impossível. E mais palmas ele! Nolan provou que os ditos 'filmes de super-herói', não precisam agredir a inteligência do público. Muito menos ganhar força apenas no herói em suas cenas contra o crime. Batman ganha força em cada ponto de um filme: roteiro, trilha, elenco, fotografia, direção... tudo! E mostra que nem sempre a atitude de herói é a melhor a ser realizada. Cada cena vai ficar na memória. Cada risada do coringa vai nos perturbar por muitas noites. Este aqui é o melhor vôo do morcego. Cinema de primeira. Merece ser visto. Com outros olhos. Por um momento esqueça que Batman é um super-herói. Ele vai te provar que heróis não feitos de atos de bravura. Por fim, um fato isolado. Assisti em plena sexta-feira de estréia. O cinema estava cheio. Quando as luzes se acenderam, os presentes aplaudiram. Nunca vi nada parecido. Nunca vi o público reagir assim. É esse o efeito que este filme causa. Acho que agora consegui resumir o que ele representa.

domingo, 6 de julho de 2008

In Space no one can hear you clean.

Cineminha do Uli

'Wall-E'
[2008]
*****
um filme
Disney/Pixar
de
Andrew Stanton


Já ouvi várias vezes que a expectativa pode estragar um filme. Isso é verdade, já tive a oportunidade de comprovar isso. Entretanto, acho que os filmes realmente dignos de um brilhante lugar ao sol são aqueles em que a expectativa é superada, por maior que ela seja. Wall-E é desses filmes.
Posso ser suspeito para falar... Sou um assumido fã da Pixar e de tudo aquilo que eles já foram capazes de criar. A Pixar visivelmente ama aquilo que faz e tenta, sempre, se superar. Talvez por isso seus filmes já estejam entre as obras primas da animação.
Quanto ao filme em si: 'Wall-E' é muito mais do que 'o novo da Pixar'. É prova definitiva de que a Pixar é a cereja do bolo no ramo de animação, de que a Pixar ocupa hoje o lugar que a Disney ocupou um dia [a fusão das empresas é pura ironia pra mim].
Trata-se de um robozinho, sozinho na Terra, limpando toda a cagada que nós deixamos aqui. Quanto a nós? Abandonamos o planeta imundo para vivermos em uma nave auto sustentável e nos entregarmos de vez ao sedentarismo causado pela tecnologia. E vem sendo assim a 700 anos. Como ele ficou aqui todo esse tempo? Se consertando com peças de outros Wall-Es que não resistiram ao tempo. Como ficamos 700 anos em órbita? Não fizemos nada. Os robôs fazem tudo, o tempo todo.
O filme começa nos mostrando uma metrópole em visão área. Deserta. Prédios altíssimos. Gela a espinha quando você percebe que as construções são, na verdade, lixo compactado meticulosamente empilhado. Somos apresentados ao remanescente Wall-E e sua barata companheira. Companhia fiel. Wall-E não gosta da solidão em que é obrigado a ficar. Ele pisa sem culpa alguma nela. Preocupa-se. Suas expressões dizem mais do que qualquer palavra. Ao ver que ela está bem, seus olhos exprimem alegria. Beira o sublime.
Ao assistir diversas vezes a uma velha fita do musical 'Hello, Dolly!', ele criou o desejo, mais que isso, a necessidade de ter contato com algo semelhante a ele. Algo não, alguém. O robô lixeiro é mais humano que muitos de nós.
A chegada da moderníssima Eve muda sua vida e nada mais do que o mais puro amor à primeira a vista invade o 'coração' do robozinho. A jornada da conquista é difícil. Ela é uma garota bem explosiva [no sentido mais literal da palavra].
Ele vai até o espaço por ela. E vai até Axiom, onde nós humanos estamos. A visão é aterrorizante. Estamos todos, obesos, sedentários. Prisioneiros de um conforto escravista. Não nos olhamos nos olhos, mesmo que estejamos lado a lado. Nossas web cams fazem isso, para que movimentar o pescoço? Estamos acomodados em cadeiras flutuantes... Andar é inteiramente desnecessário. Nosso computador pessoal está a um palmo de nossas vistas. Podemos ver tudo por ele. Para que ver aquilo a nosso redor? Nem de nossos filhos cuidamos... Os robôs fazem isso. Amedronta aquilo que nós podemos nos tornar.
E é assim, de momentos, que as coisas vão se encaixando, ganhando sentido e montando um quadro maravilhoso. O sentimental robozinho nos cativa. Ele ganha o status de seu melhor amigo [pelo menos até o fim da sessão XD], e cada deslize nos comove. Eu no auge de meus 18 anos chorei como criança. Por falar em crianças, elas irão amar o Wall-E, mas passaram longe de captar tudo o que acontece em volta dele.
Isso tudo é somado aos mais belos gráficos já vistos, aos demais integrantes do 'elenco', todos incrivelmente bem escalados e posicionados na hora e momento certos. Uma trilha sonora incrível, que toca até os mais frios croações.
Vi este ser acusado de ruim e de conter falhas no roteiro. Desculpe-me, mas os que acreditaram nisso, não têm o menor poder de dedução. Também ouvi dizer que tudo acaba de forma óbvia. Querendo ou não, isso ainda é uma animação com apelo infantil, mesmo que em baixa escala dessa vez. Os pequenos precisam do Happy End. E tomarei emprestado a opnião do Omelete: "Se o final soa um tanto óbvio e previsível, já estamos suficientemente cativados por esse personagem e seu universo para chegar a feliz conclusão de que às vezes o óbvio bem realizado é tudo aquilo que queremos". Falou e disse.

Ao fim, somos mostrados a um dos mais belos [e integrantes do roteiro] créditos animados. Desculpem-me, mas não posso evitar chamar os caras da Pixar de nada menos do que gênios.