domingo, 6 de julho de 2008

In Space no one can hear you clean.

Cineminha do Uli

'Wall-E'
[2008]
*****
um filme
Disney/Pixar
de
Andrew Stanton


Já ouvi várias vezes que a expectativa pode estragar um filme. Isso é verdade, já tive a oportunidade de comprovar isso. Entretanto, acho que os filmes realmente dignos de um brilhante lugar ao sol são aqueles em que a expectativa é superada, por maior que ela seja. Wall-E é desses filmes.
Posso ser suspeito para falar... Sou um assumido fã da Pixar e de tudo aquilo que eles já foram capazes de criar. A Pixar visivelmente ama aquilo que faz e tenta, sempre, se superar. Talvez por isso seus filmes já estejam entre as obras primas da animação.
Quanto ao filme em si: 'Wall-E' é muito mais do que 'o novo da Pixar'. É prova definitiva de que a Pixar é a cereja do bolo no ramo de animação, de que a Pixar ocupa hoje o lugar que a Disney ocupou um dia [a fusão das empresas é pura ironia pra mim].
Trata-se de um robozinho, sozinho na Terra, limpando toda a cagada que nós deixamos aqui. Quanto a nós? Abandonamos o planeta imundo para vivermos em uma nave auto sustentável e nos entregarmos de vez ao sedentarismo causado pela tecnologia. E vem sendo assim a 700 anos. Como ele ficou aqui todo esse tempo? Se consertando com peças de outros Wall-Es que não resistiram ao tempo. Como ficamos 700 anos em órbita? Não fizemos nada. Os robôs fazem tudo, o tempo todo.
O filme começa nos mostrando uma metrópole em visão área. Deserta. Prédios altíssimos. Gela a espinha quando você percebe que as construções são, na verdade, lixo compactado meticulosamente empilhado. Somos apresentados ao remanescente Wall-E e sua barata companheira. Companhia fiel. Wall-E não gosta da solidão em que é obrigado a ficar. Ele pisa sem culpa alguma nela. Preocupa-se. Suas expressões dizem mais do que qualquer palavra. Ao ver que ela está bem, seus olhos exprimem alegria. Beira o sublime.
Ao assistir diversas vezes a uma velha fita do musical 'Hello, Dolly!', ele criou o desejo, mais que isso, a necessidade de ter contato com algo semelhante a ele. Algo não, alguém. O robô lixeiro é mais humano que muitos de nós.
A chegada da moderníssima Eve muda sua vida e nada mais do que o mais puro amor à primeira a vista invade o 'coração' do robozinho. A jornada da conquista é difícil. Ela é uma garota bem explosiva [no sentido mais literal da palavra].
Ele vai até o espaço por ela. E vai até Axiom, onde nós humanos estamos. A visão é aterrorizante. Estamos todos, obesos, sedentários. Prisioneiros de um conforto escravista. Não nos olhamos nos olhos, mesmo que estejamos lado a lado. Nossas web cams fazem isso, para que movimentar o pescoço? Estamos acomodados em cadeiras flutuantes... Andar é inteiramente desnecessário. Nosso computador pessoal está a um palmo de nossas vistas. Podemos ver tudo por ele. Para que ver aquilo a nosso redor? Nem de nossos filhos cuidamos... Os robôs fazem isso. Amedronta aquilo que nós podemos nos tornar.
E é assim, de momentos, que as coisas vão se encaixando, ganhando sentido e montando um quadro maravilhoso. O sentimental robozinho nos cativa. Ele ganha o status de seu melhor amigo [pelo menos até o fim da sessão XD], e cada deslize nos comove. Eu no auge de meus 18 anos chorei como criança. Por falar em crianças, elas irão amar o Wall-E, mas passaram longe de captar tudo o que acontece em volta dele.
Isso tudo é somado aos mais belos gráficos já vistos, aos demais integrantes do 'elenco', todos incrivelmente bem escalados e posicionados na hora e momento certos. Uma trilha sonora incrível, que toca até os mais frios croações.
Vi este ser acusado de ruim e de conter falhas no roteiro. Desculpe-me, mas os que acreditaram nisso, não têm o menor poder de dedução. Também ouvi dizer que tudo acaba de forma óbvia. Querendo ou não, isso ainda é uma animação com apelo infantil, mesmo que em baixa escala dessa vez. Os pequenos precisam do Happy End. E tomarei emprestado a opnião do Omelete: "Se o final soa um tanto óbvio e previsível, já estamos suficientemente cativados por esse personagem e seu universo para chegar a feliz conclusão de que às vezes o óbvio bem realizado é tudo aquilo que queremos". Falou e disse.

Ao fim, somos mostrados a um dos mais belos [e integrantes do roteiro] créditos animados. Desculpem-me, mas não posso evitar chamar os caras da Pixar de nada menos do que gênios.

Um comentário:

Unknown disse...

é....
nem tem muitas palavras...
concordo com tudo
e principalmente com aquilo que o omelete disso... no fundo no fundo, todo mundo se decepciona com finais não previsíveis... o importante é chegar bem ao final previsível... ao happy end... coisa que wall-e fez maravilhosamente.

beijos